FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Mais identificado como Presidente da República Federativa e Democrática do Brasil, Fernando Henrique é pouco conhecido como homem. Com efeito, se a maioria dos eleitores soubesse quem é o homem, Fernando Henrique, hoje, com certeza, não seria presidente. Depois de um retrospecto sobre os últimos presidentes que envergaram a faixa presidencial, ele, com larga margem, está sendo considerado o pior deles. Um bom governo se identifica pelo bem estar e prosperidade do povo. Ora bem, noventa e cinco por cento da população brasileira vive na pobreza ou na miséria. Pelos frutos, ou pela falta de frutos, se conhece a árvore. 

A economia brasileira, sustentada pelo ópio de uma inflação supostamente zero, é a maior mentira que já se espalhou por aí. A inflação existe, como sempre existiu, só que, antes, era corrigida monetariamente, agora não. Ela é maldosamente manipulada para enganar os incautos e para justificar o que não passa de uma vergonha. Como se este cruel processo de achatamento do poder aquisitivo do já mísero salário mínimo não bastasse para satisfazer a voracidade dos carrascos do povo, as cúpulas do Executivo transformaram seus gabinetes em laboratórios de manipulação de fórmulas para compor novos aumentos de impostos, de tarifas e taxas de todo o tipo. Àqueles que conseguem fazer um pezinho de meia, por milagre, de nada aproveita porque o rendimento de sua poupança é aviltante, sessenta centavos por cento. O governo é o maior estimulador e promotor desta situação. Ele tem na mão a maquininha de fazer leis, a famosa medida provisória, autêntico disfarce de atos ditatoriais. Merece aqui destaque aquela trampolina ou traquinada da C.P.M.F. Como imposto, só representou mais um avanço no bolso do povo porque o pretexto usado foi para acudir à saúde, só pretexto, porque ela continua engrossando a fila de nossas calamidades públicas. O governo, contudo, ainda acha isto pouco. O Ministério Público, integrante do governo, por própria conta a risco, recorreu à Justiça para sustar a cobrança da C.P.M.F. Era inconstitucional, alegaram os doutores da lei. Depois, outros Magistrados de categoria superior, decidiram que o Ministério Público não tinha razão porque aquela coisa gozava de amparo legal. Entenda quem puder. Foi, contudo, o quanto bastou para que o leão arregaçasse as fauces em atitude ameaçadora. Ligeirinho, mandou cobrar o famigerado tributo com juros, correção monetária e multas ilegais. Eu não recorri à Justiça e nem dei procuração a quem quer que seja para falar em meu nome. A troco de que devo responder por trapaças do Executivo? Diga-se, de passagem, que este festival de liminares que são concedidas por uns e cassadas por outros é um prato fino para quem vive de engodar a opinião pública. Se dispusesse de tempo e papel, poderia continuar discorrendo sobre este amontoado de erros, incompetências e ardis deste governo.

Há algo, contudo, que não posso omitir por se tratar de um dos frutos mais típicos de um governo ateu, materialista e desumano. É o que diz respeito a esta desenfreada violência que tomou conta deste país. Aqui morre muito mais gente do que em muitas guerras. Ninguém mais tem paz e tranqüilidade para viver, trabalhar e nem mesmo para sonhar com um futuro mais digno do ser humano.

Todo este sofrimento e privações deve ter uma explicação. De fato, tem. Sem dúvida que a falta de alma, de humanismo, de Deus em nossos governantes esclarecem, à saciedade, nossa agonia. Fernando Henrique é ateu confesso, materialista por convicção e absolutista por sistema. Ora, o ateu não pode amar os filhos de um Deus que para ele não existe. Como adepto que sempre foi da filosofia materialista e ateia de Carlos Marx ele encara o homem não como sujeito dos mais alienáveis direitos, mas como objeto de exploração do estado totalitário. É por isto que ele se comporta como autêntico absolutista no velho estilo medieval. O estado sou eu, a lei sou eu. O resto é resto. E venham as medidas provisórias, os decretos, as portarias e instruções. Fernando Henrique é um capitalista travestido de socialista. Ele se reveste daquele pelinho de cordeiro e adota aquela ingênua atitude da avestruz que esconde a cabeça na relva para ter a sensação de que está tudo bem. Se a consciência, porventura, começa a pesar, ele encarapita num avia0, do povo, é claro, com o dinheiro do povo, e vai viajar. Um jornalista já disse que, lá de longe, ele remoça, espalha sorrisos e até volta correndo para votar na Marta Suplicy e aplaudir a troca de beijinhos entre ela e o Mário Covas, o grande tucano da selva paulista. Mas, foi só um flerte momentâneo porque, dias depois, Da. Marta disse pela televisão que não tira o chapéu nem para o Fernando e nem para o Covas porque eles não cumprem a palavra nem as promessas que fazem.

Fernando Henrique, eu não sou ninguém porque sou do povo, mas atrevo-me a fazer-lhe um pedido: Peço-lhe, não por amor de Deus porque V.Sa. é ateu, mas por amor a si mesmo, que renuncie ao seu mandato de Presidente da República. Afinal, sejam quais forem suas convicções, Deus pode existir e, se existir, Ele vai querer saber o que V.Sa. fez com o seu povo. Não estou pretendendo que mude suas convicções, mas que respeite as de quase a totalidade da espécie humana.

Lá no preâmbulo da Constituição Federal que Fernando Henrique jurou cumprir e fazer cumprir, está escrito:

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos SOCIAIS E INDIVIDUAIS, A LIBERDADE, A SEGURANÇA, O BEM ESTAR, O DESENVOLVIMENTO, A IGUALDADE E A JUSTIÇA como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacifica das controvérsias, promulgamos, SOB A PROTEÇÃO DE DEUS, a seguinte Constituição”... BONITO E COMPROMETEDOR! 

José Cândido de Castro

NOVEMBRO/2000

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Prof. José Cândido de  Castro
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