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WORLD TRADE CENTER

Este centro de poderio econômico do mundo, em poucos minutos, se converteu em centro de terror e pânico.

À sombra ameaçadora de uma coluna de fumaça levantaram-se hipóteses e ameaças de guerra e vingança. Até agora, contudo, não ouvi uma só voz que conclamasse os povos para uma reflexão que nos leve às causas de tão desastrados efeitos. “A terra está mergulhada na desolação porque não há quem reflita” Jer.12,11. Estamos diante de efeitos cujas causas tem raízes profundas, tão profundas que atingem a própria essência metafísica do ser humano. Esta essência está constituída por dois elementos: o racional e o animal. O racional, por força de um subliminar e insidioso processo de degradação de seu ÚTERO gestador, a FAMÍLIA, cede espaço ao animal que, cada vez mais, se faz presente estimulado e empurrado pela concepção materialista que consiste, exclusivamente, na fruição máxima dos mais refinados prazeres da vida. As ações do homem contemporâneo se caracterizam, cada vez mais, como atos de animais irracionais. Estes terroristas ao se transformarem em homens bombas não mais se orientam pela razão, e sim, pelo selvagem, tipicamente animal e fatalista instinto que despreza o Dom da vida e o sacrifica à utopia de uma causa suicida. Estes agentes da violência e do terrorismo, espalhados pelo mundo, de seres humanos, só tem a aparência. No mais, se identificam com os irracionais. A explosão do sexo e sua exploração como valor supremo da vida é um dos sintomas mais alarmantes da animalização do homem.

A televisão e a mídia em geral consomem horas a fio na promoção do animal, mais depois são as primeiras a condenar e lamentar o terrorismo que elas mesmas ensinam e promovem quando fomentam a dissolução dos costumes. Isto se chama hipocrisia farisática. A causa do terrorismo que assusta a humanidade é a animalização do homem e esta animalização, por sua vez, tem suas raízes na destruição da FAMÍLIA que é o ÚTERO GESTADOR do ser racional. Conclusão: a médio e longo prazo, a erradicação do terrorismo está diretamente ligada e condicionada à restauração da FAMÍLIA. O combate aos efeitos é necessário como medida de primeiros socorros, mas a cura definitiva requer algo mais, ou seja, a extirpação das causas.

Neste episódio do World Trade Center ficou claro que os Estados Unidos estavam preparados para enfrentar um leão e não um pernilongo. Estes insetos se combatem com inseticidas e não com mísseis intercontinentais. Parece incrível que homens de procedência duvidosa, armados com facas, punhais e estiletes, entrem num avião comercial sem serem incomodados ou identificados pelos detectores de metais. O leão não entrou mas o pernilongo penetrou e ferrou. Onde sta a famigerada competência da CIA, do FBI que enxergam à noite e devassam as estrelas? A segurança dos aviões comerciais tem que ser revista e protegida com telas à prova de insetos. O próprio interior das aeronaves tem que contar com dispositivos que separem a cabine dos pilotos do restante do avião e possibilitam a reação de agentes preparados para tanto. O mundo espera e exige que os poderosos responsáveis, em última instância, pela turbulência que sacode nosso planeta, encontrem uma rota segura para a aeronave de nossas vidas. Precisamos de menos técnica e de mais controle da mesma. O grande dilema da tecnologia moderna é saber precisamente se o homem conseguirá dominá-la e colocá-la a seu serviço ou se, transformada em massa despersonalizada, seja devorado por ela, incapaz de controlar seu formidável poder de destruição. Nos estudos técnicos, nunca se deve perder de vista a preocupação de dar um sentido humano à atividade rigorosamente tecnológica. O episódio das torres de World Trade Center é um exemplo de com a técnica pode se virar contra o homem. Com efeito, concentrar em duas torres o maior poder econômico do mundo é facilitar, para os terroristas, sua fúria destruidora. “Divide et impera”, dividir para melhor controlar, diz o adágio popular. No meu entender, no lugar das torres, deveriam erguer um monumento que simbolizasse a razão e o bom senso.

A técnica da reflexão filosófica e teológica que se volta para a essência e o destino do homem, destino este que transcende a materialidade visível e palpável em que se agita nossa existência. Feito para Deus, o coração do homem não repousará enquanto não voltar à sua origem. O presente momento de nossa história é de REFLEXÃO, de parada para olharmos ao redor e perguntarmos: onde estamos e para onde vamos? Com certeza constataremos que estamos cerrando o galho em que nos apoiamos e que a nossos pés se abre um abismo sem dimensões. Confinado nesta terra de dimensões finitas, nesta cápsula de vidro o homem, repetirá sempre o gesto da borboleta que se lança contra a vidraça. Ela enxerga o espaço, vislumbra a liberdade mas não sabe como atingi-la. Se ela fosse dotada de uso da razão, descobriria que o vidro só é obstáculo para as ações materiais e não para a atividade do espírito, da reflexão. 

Vamos, meus amigos, não imitem a avestruz que esconde a cabeça na relva para dissimular o perigo. Levantemos o olhar porque, no horizonte, se torna cada vez mais visível o cogumelo, símbolo do terror.

José Cândido de Castro

SETEMBRO DE 2001


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Prof. José Cândido de  Castro
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